
Há cinco anos por esta altura vivia o inicio de uma gravidez.
Uma desejada primeira gravidez que corria tão tranquila até às 25 semanas, altura em que foi detectada uma assimetria dos ventrículos cerebrais, sendo que um ultrapassava ligeiramente os valores normais. Tudo foi equacionado, e mesmo não admitindo, sempre defendi o ser que carregava dentro de mim. Fui uma grávida feliz, mas por vezes apavorada e debilitada. No dia do nascimento do
JP, pelas 39 semanas, tudo se complicou. O
JP estava em ligeiro sofrimento e a médica ainda tentou fazer parto normal. Acabou por desistir e o meu filho nasceu já alguns minutos depois da meia-noite do Feriado de 1 de Dezembro.O meu bebé veio ao mundo sem chorar, sem respirar. Felizmente recuperou minutos depois, arrancou por si próprio todos os tubos e trouxeram-me para conhecê-lo. Não parecia um
recém-nascido. Estava atento, muito desperto e com uma pele muito
branquinha. No entanto disseram-me que ele passaria a noite na
UCI neonatal e, quando recuperei as minhas forças, fui vê-lo pela manhã.
Chorava muito, e quando mo colocaram no colo, imediatamente se calou. Ficou 9 longos dias internado a ser observado. Eu fazia questão de estar sempre junto dele e de pegá-lo ao colo o máximo de tempo possível. Sabia que, se ele queria fazer pela vida, era sabendo que eu estava ali e que o amava. O
JP saiu do hospital sem diagnóstico. Agora sabemos que muitos imaginavam que era paralisia cerebral.
O prognóstico parecia terrível. Mas no dia que o trouxemos para casa ele se transformou. Começou a mamar muito mais e a acordar com fome. Nunca o fez no hospital.
Pensei muito em deixar de trabalhar, mas nunca consegui. As contas, as terapias...
Existem e convivem connosco. Pensava e penso muito na qualidade de vida dele.
Os avanços motores do meu pequenino foram feitos devagar, os cognitivos felizmente mais rapidamente, mas acredito que o que fez a diferença foi o nosso vínculo e a minha crença de que só se avança e aprende com prazer e é a mãe que pode
proporcionar isso para uma criança atípica. Os primeiros sorrisos surgiram cedo, pelas 7
semaninhas e deram-me muita força.
Eu ainda acho que a melhor reabilitação para um caso grave é conviver com pessoas felizes. Por isso, nunca me entreguei a qualquer depressão, embora ainda tenha dias que sejam muito difíceis.
Quero que o
JP continue sonhando, desejando, mesmo o que não seja possível. Pois será esse desejo que irá movê-lo para algum lugar
intermediário entre o ponto onde ele está e onde ele desejou chegar.